quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Alice no país das maracutaias

Este assunto embrulha o estômago até daqueles que se julgam fortes. O sentimento de impotência diante das freqüentes palhaçadas envolvendo nossos políticos causa um tremendo mal-estar e nos deixa a dúvida se realmente há uma luz no fim do túnel.


Infelizmente, num país cujo líder executivo tem a coragem de declarar que a “imprensa faz mal ao país” e que teria vontade de “se suicidar” se levasse em conta as manchetes jornalísticas, somos obrigados a ver essa figura se tornar um santo aos olhos de milhões de brasileiros que se acomodaram com as práticas petistas do pão e circo, como utilizado na Roma antiga para diminuir as chances de revolta do povo contra a situação que lhes afligia.

A evolução brasileira engatinha enquanto outros emergentes já caminham. Nada disso é ao acaso, sabemos que a corrupção produz pobreza, mas mesmo assim, aqui se populariza a cultura dos “espertos”, e ninguém está disposto a perder agora pra ganhar no futuro. Pior, queremos ser ainda mais espertos que os anteriores.

Temos como herança dos tempos de colonização portuguesa uma propensão a cultura de parasitas: tem sempre alguém te “sugando” e isso vai te fazer ter ânsia em “sugar” também. Basta ver quantas vezes você se sentiu lesado em algum estabelecimento, e quando, em outro lugar, veio uma conta com valores menores do que deveriam, e você não falou nada. É errado. E corrupção é fazer aquilo que você sabe que está errado.

Pode parecer clichê, mas se não começarmos por nós mesmos, como poderemos mudar a realidade que nos aflige? E esta aflição não é barata não. Trabalhamos quatro meses do ano para sustentar nosso governo e estamos insatisfeitos com o trabalho que desempenham. Esquecemos, com certa freqüência, que aqueles cidadãos trabalham para nós e que temos o poder de despedi-los, ainda que na prática seja difícil fazê-lo.

Há uma oportunidade de começarmos nosso trabalho de formiguinha nas próximas eleições, e farei a minha parte.

Seria idealista demais querer que tudo seja diferente de uma hora para outra, mas seria comodismo demais aceitar que tudo permaneça na lama e não fazer absolutamente nada. Lutar para que a farra com o dinheiro público não seja impune é uma obrigação. Vamos votar conscientes e apoiar quem, como nós, acredita que ser político não é uma festa, mas sim uma responsabilidade. E vamos cobrá-los com atitudes, para que fiquem cientes que se pisarem na bola, pode ser que não sejam presos, nem julgados, mas o povo não vai deixar que o façam novamente. Quem sabe assim não seja possível excomungar da vida pública os elementos que nos envergonham, e as laranjas do saco comecem a não parecer tão podres.

A sonhada luz no fim do túnel pode até soar como utopia a esta altura, mas encontrar um vaga-lume já parece um bom negócio... na verdade, ótimo... quer dizer, excelente.

 
Daniela Castilho

4 comentários:

  1. È COMPLICADO ESSE ASSUNTO MAS UMA REALIDADE MUITO PRESENTE. AS VEZES PARECE TÃO DIFÍCIL ESSE TRABALHO DE FORMIGUINHA...
    MAS VAMOS TENTAR NÃO É.

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  2. Eu não sabia nem que vc escrevia tão bem e nem que era politizada! Q amiguinha chique que eu tenho! (Alerta: Comentário totalmente desnecessário. Sahrry... :D) Bj

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  3. Oi Val!
    Concordo com você. Por mais que pareça difícil ser uma formiguinha, vale a tentativa.
    ;-)

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  4. Oi Mi!
    Obrigada!! Fico feliz que você gostou!! (Você sempre foi minha amiga nerd, então sua opinião é muito importante! hehe)
    bjo

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