Este assunto embrulha o estômago até daqueles que se julgam fortes. O sentimento de impotência diante das freqüentes palhaçadas envolvendo nossos políticos causa um tremendo mal-estar e nos deixa a dúvida se realmente há uma luz no fim do túnel.
Infelizmente, num país cujo líder executivo tem a coragem de declarar que a “imprensa faz mal ao país” e que teria vontade de “se suicidar” se levasse em conta as manchetes jornalísticas, somos obrigados a ver essa figura se tornar um santo aos olhos de milhões de brasileiros que se acomodaram com as práticas petistas do pão e circo, como utilizado na Roma antiga para diminuir as chances de revolta do povo contra a situação que lhes afligia.
A evolução brasileira engatinha enquanto outros emergentes já caminham. Nada disso é ao acaso, sabemos que a corrupção produz pobreza, mas mesmo assim, aqui se populariza a cultura dos “espertos”, e ninguém está disposto a perder agora pra ganhar no futuro. Pior, queremos ser ainda mais espertos que os anteriores.
Temos como herança dos tempos de colonização portuguesa uma propensão a cultura de parasitas: tem sempre alguém te “sugando” e isso vai te fazer ter ânsia em “sugar” também. Basta ver quantas vezes você se sentiu lesado em algum estabelecimento, e quando, em outro lugar, veio uma conta com valores menores do que deveriam, e você não falou nada. É errado. E corrupção é fazer aquilo que você sabe que está errado.
Pode parecer clichê, mas se não começarmos por nós mesmos, como poderemos mudar a realidade que nos aflige? E esta aflição não é barata não. Trabalhamos quatro meses do ano para sustentar nosso governo e estamos insatisfeitos com o trabalho que desempenham. Esquecemos, com certa freqüência, que aqueles cidadãos trabalham para nós e que temos o poder de despedi-los, ainda que na prática seja difícil fazê-lo.
Há uma oportunidade de começarmos nosso trabalho de formiguinha nas próximas eleições, e farei a minha parte.
Seria idealista demais querer que tudo seja diferente de uma hora para outra, mas seria comodismo demais aceitar que tudo permaneça na lama e não fazer absolutamente nada. Lutar para que a farra com o dinheiro público não seja impune é uma obrigação. Vamos votar conscientes e apoiar quem, como nós, acredita que ser político não é uma festa, mas sim uma responsabilidade. E vamos cobrá-los com atitudes, para que fiquem cientes que se pisarem na bola, pode ser que não sejam presos, nem julgados, mas o povo não vai deixar que o façam novamente. Quem sabe assim não seja possível excomungar da vida pública os elementos que nos envergonham, e as laranjas do saco comecem a não parecer tão podres.
A sonhada luz no fim do túnel pode até soar como utopia a esta altura, mas encontrar um vaga-lume já parece um bom negócio... na verdade, ótimo... quer dizer, excelente.
Daniela Castilho
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Faltou decifrar
Confesso que criei uma expectativa enorme em torno da matéria principal da Superinteressante deste mês e esperava produzir um texto carregado de informações reveladoras. As descobertas sobre Maçonaria são pra mim como um quebra-cabeça e esperava encontrar mais algumas peças para montar meu conhecimento sobre o assunto. Mas não é culpa da revista. A culpa é da Maçonaria.
É sabido que o surgimento da maçonaria aconteceu no fim da Idade Média, quando os mason (aportuquesado se tornou maçon), pedreiros da época, resolveram se unir para passar seu conhecimento somente aos aprendizes selecionados. Com a procura, os lodges (lojas onde era ensinada a profissão) cresceram e surgiu a maçonaria. Ok. Agora, daí até se tornar uma das “seitas” mais procuradas da atualidade, fica faltando informações primordiais para um entendimento, digamos, mais coeso.
A reportagem revela muitos líderes do passado – como George Washington, Benjamin Franklin, Dom Pedro I, Simón Bolívar, etc – e líderes da atualidade – como Hugo Chávez, Silvio Berlusconi, Al Gore, etc – que participam da sociedade secreta, mas que por ser tão secreta, nada podem contar, e isso contribui com o mistério.
Há uma lista de atribuições ao aspirante a membro, que precisa ser aceito por todos os membros da “loja” antes de ingressar na ordem, mas nenhuma delas especifica o “Ser Supremo” ou “entidade” aos quais são devotos, o que deixa dúvidas em relação à religiosidade das práticas.
Diante das inúmeras incertezas que pairam sobre o assunto, uma coisa é certa, as relações sociais decorrentes deste contato entre maçons são extremamente benéficas - para eles mesmos. Como em qualquer grupo com um convívio social recorrente, a descoberta de similaridade nos interesses se torna positiva e facilita a busca da oportunidade. Ainda mais ao tratar-se de um grupo tão seleto de membros influentes, como governantes, grandes empresários, executivos de empresas renomadas, entre outros.
Quais seriam os mandamentos seguidos pelos congregantes? Como a maçonaria se tornou uma religião (ou seita)? Quais pensamentos possuem para o desenvolvimento da sociedade?
O que posso concluir se continuo curiosa para entender como uma “escola de pedreiros” passou a ser lugar onde grandes mentes se encontravam para conspirar sobre revoluções para, por fim, se tornar lobby de políticos e empresários?
Ainda faltam muitas peças neste quebra-cabeça para que comece a fazer sentido pra mim, embora faça sentido para muita gente, já que são mais de seis milhões de maçons no mundo.
Não sei se conhecendo mais eu poderia me interessar em fazer parte de uma organização tão subjetiva que, mesmo fazendo análise de membros antes de aceitá-los, abriga e já abrigou pessoas de caráter duvidoso.
Ou isso tudo talvez seja apenas meu lado feminista reclamando de uma sociedade onde mulheres não são aceitas.
Só sei que continuo insatisfeita com as informações que tenho.
Daniela Castilho
É sabido que o surgimento da maçonaria aconteceu no fim da Idade Média, quando os mason (aportuquesado se tornou maçon), pedreiros da época, resolveram se unir para passar seu conhecimento somente aos aprendizes selecionados. Com a procura, os lodges (lojas onde era ensinada a profissão) cresceram e surgiu a maçonaria. Ok. Agora, daí até se tornar uma das “seitas” mais procuradas da atualidade, fica faltando informações primordiais para um entendimento, digamos, mais coeso.
A reportagem revela muitos líderes do passado – como George Washington, Benjamin Franklin, Dom Pedro I, Simón Bolívar, etc – e líderes da atualidade – como Hugo Chávez, Silvio Berlusconi, Al Gore, etc – que participam da sociedade secreta, mas que por ser tão secreta, nada podem contar, e isso contribui com o mistério.
Há uma lista de atribuições ao aspirante a membro, que precisa ser aceito por todos os membros da “loja” antes de ingressar na ordem, mas nenhuma delas especifica o “Ser Supremo” ou “entidade” aos quais são devotos, o que deixa dúvidas em relação à religiosidade das práticas.
Diante das inúmeras incertezas que pairam sobre o assunto, uma coisa é certa, as relações sociais decorrentes deste contato entre maçons são extremamente benéficas - para eles mesmos. Como em qualquer grupo com um convívio social recorrente, a descoberta de similaridade nos interesses se torna positiva e facilita a busca da oportunidade. Ainda mais ao tratar-se de um grupo tão seleto de membros influentes, como governantes, grandes empresários, executivos de empresas renomadas, entre outros.
Quais seriam os mandamentos seguidos pelos congregantes? Como a maçonaria se tornou uma religião (ou seita)? Quais pensamentos possuem para o desenvolvimento da sociedade?
O que posso concluir se continuo curiosa para entender como uma “escola de pedreiros” passou a ser lugar onde grandes mentes se encontravam para conspirar sobre revoluções para, por fim, se tornar lobby de políticos e empresários?
Ainda faltam muitas peças neste quebra-cabeça para que comece a fazer sentido pra mim, embora faça sentido para muita gente, já que são mais de seis milhões de maçons no mundo.
Não sei se conhecendo mais eu poderia me interessar em fazer parte de uma organização tão subjetiva que, mesmo fazendo análise de membros antes de aceitá-los, abriga e já abrigou pessoas de caráter duvidoso.
Ou isso tudo talvez seja apenas meu lado feminista reclamando de uma sociedade onde mulheres não são aceitas.
Só sei que continuo insatisfeita com as informações que tenho.
Daniela Castilho
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